A semana foi atravessada por um único fato dominante: o reajuste de 19,2% no gás natural anunciado pela Petrobras em 1º de maio às distribuidoras, com a Abegás já alertando para nova alta de até 40% em agosto. Para a indústria vidreira — onde o gás responde por parcela material da estrutura de custo — o evento redesenha a equação competitiva no exato momento em que a sobretaxa antidumping de 25% sobre laminado chinês entra em sua fase de investigação Secex.
Vetores secundários convergem na mesma direção: dólar recuou para R$ 4,8999 (alívio em barrilha), frete SCFI seguiu em alta anual de 42% (penaliza importado), INCC-M acelerou para +1,04% em abril, e CBAM europeu começa a redirecionar oferta asiática para a América do Sul.
Em 1º de maio, a Petrobras anunciou reajuste de 19,2% no preço de venda do gás natural às distribuidoras, refletindo alta de 24,3% no Brent e variação cambial de +2,5% no período. A Abegás projeta novo reajuste de até 40% em 1º de agosto.
O gás natural é um dos maiores componentes do custo variável de fornos float — a alta repassa diretamente para o custo de produção da Vivix em Goiana (PE), onde a Copergás é a distribuidora local. Se confirmado o segundo reajuste, o custo acumulado em 90 dias pode ultrapassar 35%.
Convocar comitê de custos para reavaliar política de preço de tabela em junho. Acelerar conversa com a Copergás sobre biometano (ver INS-006). Modelar três cenários: alta congelada / +20% / +40% adicional em agosto.
A Secex publicou abertura formal de investigação antidumping sobre vidro laminado importado da China. Importações brasileiras bateram recorde de 39 mil toneladas em 2025. A sobretaxa de 25% segue válida por 12 meses desde 26/12/2025.
Reduz competitividade do laminado chinês no curto prazo e abre janela de recomposição de margem para a Vivix. Risco assimétrico: possível retaliação tarifária e migração para origens alternativas (Malásia, Indonésia, Índia).
Mapear participação de mercado em laminado por estado nos últimos 6 meses. Submeter proposta de reposicionamento de preço à área comercial. Acompanhar manifestações na investigação Secex.
Em entrevista à revista O Vidroplano, a AGC classificou 2025 como positivo e declarou "otimismo cauteloso" para 2026. Sinaliza que o alto padrão buscará produtos premium — grandes vãos com isolamento térmico/acústico, segurança e estética.
A leitura cautelosa de um player com 1.500 t/dia em Guaratinguetá indica consenso: a base do funil (clear) seguirá em disputa de preço, enquanto o topo (controle solar, laminados de alta espessura) é onde reside a margem.
Revisão do mix de vendas Q1/2026 vs. plano 2026. Se commodities >55% da receita, acelerar campanha de migração para linhas técnicas em distribuidores regionais.
O Shanghai Containerized Freight Index fechou 8 de maio em 1.911,40 pontos — alta de 3,04% no mês e 42,09% em doze meses. Restrições no Canal do Panamá continuam pressionando.
Para um contêiner Xangai-Santos, a alta equivale a USD 600-800 a mais por embarque versus 2025. Combinada com a sobretaxa de 25% e dólar a R$ 4,90, a competitividade do laminado chinês está estruturalmente comprometida.
Atualizar landed cost simulado para SKUs concorrentes com câmbio R$ 4,90 + frete USD 2.150/40' + sobretaxa. Apresentar no comitê comercial da próxima semana.
O INCC-M registrou alta de 1,04% em abril, contra 0,36% em março — +2,39% no ano e +6,28% em 12 meses. Infraestrutura como pilar (impulso eleitoral) e alto padrão buscando vidros técnicos.
Custo de obra mais alto pode adiar lançamentos médios, reduzindo demanda por vidro residencial padrão. Por outro lado, infraestrutura e alto padrão seguem aquecidos — exatamente o nicho premium da Vivix.
Levantar os 20 maiores projetos de infraestrutura federal previstos para 2026-2027. Avaliar parceria de especificação técnica com escritórios de arquitetura especializados em fachadas premium.
A Copergás vem expandindo a rede de distribuição de biometano em Pernambuco, oferecendo alternativa mais previsível em preço e com narrativa ESG superior frente ao gás natural fóssil.
Se a Vivix conseguir contratar 15-25% do consumo em biometano com preço atrelado ao IPCA (não ao Brent + câmbio), reduz materialmente a volatilidade do custo de energia e cria storyline ESG diferenciada.
Marcar reunião executiva com Copergás em 2 semanas. Levantar: (i) custo atual do GN por tonelada; (ii) capacidade de operar com mistura biometano/GN; (iii) viabilidade de selo de carbono.
A partir de 2026, embarques de vidro plano à UE passam a exigir certificados de CO₂ incorporado sob o CBAM. A medida atinge fornos a carvão e óleo combustível, predominantes na Ásia.
Parte da produção asiática que perde margem na UE tende a ser redirecionada para mercados sem CBAM, incluindo América do Sul. Pressão adicional de oferta no Brasil é provável a partir do 2º semestre.
Acompanhar exportação chinesa para América Latina (UN Comtrade) nos próximos 90 dias. Iniciar avaliação do perfil de CO₂ por tonelada da operação Vivix como argumento comercial.
A capacidade solar instalada da China deve dobrar até o fim de 2026, atingindo 1.000 GW. O vidro fotovoltaico disputa as mesmas linhas de produção e matérias-primas do vidro plano arquitetônico. Flat Group adquiriu mina de quartzito por USD 492 mi.
A absorção de capacidade chinesa para PV reduz a produção disponível para exportação de vidro arquitetônico, compensando parcialmente o redirecionamento do CBAM. Verticalização da Flat Group sinaliza escassez futura de quartzito de alta pureza.
Analisar séries históricas de exportação chinesa de vidro plano vs. expansão PV. Avaliar risco de quartzito/areia em 24 meses e considerar contratos longos com mineradoras nacionais.